2.9.10

morte e desabafo tardio

"a gente passa a vida tentando conquistar tudo pra perder de uma hora para outra."

No auge da minha depressão de vida, de querer desesperadamente (quase) sair daqui, de ir morar numa quitinete com aluguel de 300 reais, de continuar a faculdade e de ter um emprego medíocre mesmo, para conseguir viver sozinha, de verdade, sem ter que depender de favores ou mesmo de obrigações familiares; eu, nesse auge, sofro ainda mais após saber da morte de um primo de uma amiga. um primo que, segundo ela, passou a vida toda lutando contra a fome, e que, quando consegue, leva um choque e tem uma morte fulminante. A morte é corroedora. Dói.
E ela diz: a vida não vale a pena, Mel.
E aqui estou, sofrendo, pensativa, desejando que todo esse mal, toda essa praga se acabe.
Desejando uma vida medíocre, como nunca desejei. Porque tenho a impressão que sendo medíocre, não sofreria tanto. Não sentiria tanto a vontade de mudança, de ser melhor, de melhorar alguém.
O ruim de se importar com as pessoas, e com as coisas que as envolvem, é que você sofre. Você luta por alguém, por você mesmo. E depois você sofre por perceber que esse cuidado, essa atenção não são recíprocas, não são reconhecidas.
E aí vem toda a lenda de não ter minha mãe por perto e da falta que eu sinto disso, e do quanto eu mascaro todo esse sentimento, essa falta; para não aparentar fraca, ou mesmo para aparentar forte; sendo que essa distância me mantém de mãos amarradas, porque percebo que toda essa independência que exalo é falsa, é fingida. É quase uma morte lenta. É uma dor abafada, mórbida.

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