16.2.11

Anotações sobre A Última Quimera, Ana Miranda

Há dois anos, mais ou menos, li A Última Quimera, e, por esses dias, encontrei um papelzinho com anotações avulsas. Espero que sirva, pelo menos, para curiosidades alheias e que os façam querer lê-lo, pois vale muito a pena. Particulamente, é a obra da Ana Miranda que mais gosto, que mais mexeu comigo.
Sendo assim:

"o amigo de dos Anjos, chega a preocupar-me mais que o próprio Augusto. uma intermitente sofreguidão; um amor tardio e, até então, não revelado. não sei, mas sou contra amores não-revelados. creio que todos nós temos o direito de pronunciar o amor e de receber o pronunciamento. é algo a se pensar...
o pobre amigo de dos Anjos, que até hoje não sei sequer seu nome - somente sei suas desventuras, é um bom homem, que exerce a compaixão pelos sôfregos, pelos loucos, pelo vadios. é verdade que o coração é tolo. só os tolos, bobos conseguem amar de maneira mais intensa.
a mãe de Augusto dizia que ele nunca tivera o espírito de criança, nunca fora criança verdadeiramente. Clarice diz que quando não somos mais crianças ou quando "adultecemos" antes do tempo, tornamo-nos pessoas tristes. talvez explique muitas coisas acerca de dos Anjos."

10.2.11

é bem verdade que eu tenho uma paixão pelas divas das décadas de 50 e 60.
talvez seja a leveza no olhar - aquele olhar despreocupado com a vida; ou mesmo a ingenuidade; a beleza; a elegância; e claro, toda a feminilidade que elas exalam.
e sempre tinham seus "príncipes encantados", homens galantes, maduros, espertos e que as protegiam.







3.2.11

-também de amo.
mas ele só queria que ela desligasse logo o telefone para continuar a assistir o filme.
estava cansado desses dizeres avulsos, das cobranças, da transa metódica, já previsível. tinha desespero por coisas fáceis. esse namoro se tornara difícil, era tudo banal: os jantares comemorativos, as idas a motéis para adornar o sexo previsível; a família dela que anseia pelo casamento dos sonhos, a dele que já nem crê mais nisso; os amigos falsificados, aquele velho uísque falsificado que dera ao sogro no dia dos pais que não comemorou com o próprio pai; a rotina cruel, a falta de tato, a meia ignorância.
ele só queria o que lhe fosse fácil, mas tudo de difícil lhe vinha.

26.1.11

era tarde.
Carmélia poderia ir sem o menor problema. daria tempo dela voltar antes de anoitecer.

era noite.
Carmélia comprara sua peruca nova. linda, loira.

era madrugada.
Carmélia estava pronta. esperaria em alguma esquina seu suposto príncipe da noite.

Carmélia era linda, loira, bela, homem. mas nenhum homem teria mais delicadeza e sutileza que Carmélia.

22.1.11

Tenho pensado muito sobre o que escrever. Mas não tenho tido impulso suficiente para começar.
E isso tem me frustrado, como sempre.
É que isso é tão meu, é tão agarrado ao que eu penso que serei, ao que eu quero ser, que me desiludo se não consigo esse impulso para escrever.
Em verdade ainda não encontrei a resposta que busco: se temos que escrever somente sobre esse impulso, ou quando quisermos.
Até parece meio bobo ficar divagando acerca disso, claro que é. Mas é algo que realmente me incomoda.
Talvez escritores não pensem assim. Talvez eles consigam escrever a toda hora.

Sou de fases.
Desses tempos, tenho admirado o trabalho da Tércia Montenegro (www.literatercia.blogspot.com). Não somente através do blog, mas também através de seus livros de contos, e como professora. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de tê-la como professora, mas todos a rodeiam de elogios. Festivos elogios.
Comprei há umas semanas o seu primeiro livro de contos: Linha Férrea. E é incrível a qualidade de seus textos, e ela só tinha 24 anos (pelos meus cálculos). E penso - sinto, até - que ela será grandiosa. Digo, mais.

23.12.10

"Escrevo como fumo, por vício."

Euclides da Cunha                    

17.12.10

recorrências mensais

lápis
caneta
papel presente
envelopes coloridos
depósito banco
saque banco
livros biblioteca
banho Sabá
vacina Cherry
créditos celular