26.1.11

era tarde.
Carmélia poderia ir sem o menor problema. daria tempo dela voltar antes de anoitecer.

era noite.
Carmélia comprara sua peruca nova. linda, loira.

era madrugada.
Carmélia estava pronta. esperaria em alguma esquina seu suposto príncipe da noite.

Carmélia era linda, loira, bela, homem. mas nenhum homem teria mais delicadeza e sutileza que Carmélia.

22.1.11

Tenho pensado muito sobre o que escrever. Mas não tenho tido impulso suficiente para começar.
E isso tem me frustrado, como sempre.
É que isso é tão meu, é tão agarrado ao que eu penso que serei, ao que eu quero ser, que me desiludo se não consigo esse impulso para escrever.
Em verdade ainda não encontrei a resposta que busco: se temos que escrever somente sobre esse impulso, ou quando quisermos.
Até parece meio bobo ficar divagando acerca disso, claro que é. Mas é algo que realmente me incomoda.
Talvez escritores não pensem assim. Talvez eles consigam escrever a toda hora.

Sou de fases.
Desses tempos, tenho admirado o trabalho da Tércia Montenegro (www.literatercia.blogspot.com). Não somente através do blog, mas também através de seus livros de contos, e como professora. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de tê-la como professora, mas todos a rodeiam de elogios. Festivos elogios.
Comprei há umas semanas o seu primeiro livro de contos: Linha Férrea. E é incrível a qualidade de seus textos, e ela só tinha 24 anos (pelos meus cálculos). E penso - sinto, até - que ela será grandiosa. Digo, mais.