30.8.10

um certo contrato

Ela acordou já sabendo do precisava, foi assim sempre.

Amanheceu, e mesmo antes do despertador tocar, os olhos amanheciam também.
Levantou, lavou o rosto e pôs-se a escovar os longos e densos cabelos negros.
Dividia-os em três partes; e começava a escovar pelas pontas. Com rigidez e doçura. Sem alternar o tempo entre as escovadas. Com as mãos em pêssego, com uma firmesa exigida. Seu corpo era todo comprometido, porque quem via, sabia ali existir um contrato real entre ela e seus cabelos; e esse contrato era que eles seriam arados todos os dias pela manhã, independente que ela acordasse sabendo do que precisava ou não, e ela sempre sabia, todos os dias. Sempre.
E assim, penteou os cabelos, por 1200 segundos: 1200 penteadas; pegou as três partes divididas e fez uma trança embutida. vestiu um macacão, calçou seus chinelos laranja e foi-se, atrás do que sabia que precisava.

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